O Sétimo Continente (1989)

Sobre o filme

Primeiro (e incrível) filme de Michael Haneke. Um filme niilista. Aqui, busca-se entender uma das maiores angústias do homem moderno, do homem pós-segunda guerra. Quer ser entendida a angústia da rotina. A angústia do homem-máquina, aquele que tem por desígnio ficar só rodando um parafuso no sentido anti-horário por 8 horas seguidas, todos os dias, chegar em casa, jantar, fornicar com a mulher e dormir – se conseguir esses dois últimos, lógico. A angústia da mulher dona de casa, aquela que cuida de manter a ordem estética e geral da casa, que precisa levar e buscar a filha todos os dias da semana na escola, que precisa sempre sorrir para o vizinho ao lado e fingir uma felicidade e bem-estar com todos. A angústia da criança que precisa ir à escola brincar com os mesmos colegas das mesmas coisas todos os dias da semana, que tem de aturar alegremente os puchões de bochechas que as pessoas dão nela. É preciso fugir disso: é preferível ficar cego a ter de viver mais um dia a mesma coisa, um eterno retorno reduzido a repetir os dias, e não as eras e a história humana. É preferível aguentar uma vida de mesmices, para poder estar de acordo com a ética e a moral, em vez de dar cabo a tudo? A rotina é sufocante, é sem fim, é uma rotina! O que fará o homem moderno? Será que o teatro do absurdo foi um prelúdio daquilo que o homem será? Será que estamos na peça de “Godot”? – Mas precisamos ir embora! – Mas não podemos. – Por quê? – Estamos esperando Godot. – Ah, é mesmo.

O psicanalista dirá que isso é consequência da falta de self no ser – o homem moderno perdeu seu senso de si mesmo. A causa disso foi a própria mecanização do homem, o homem-máquina, o homem-objeto. Qual a cura disso? Vejo a resposta em Nietzsche e em muitos outros homens do passado: amor ao corpo, positividade do corpo. Dirão que a religião é o melhor caminho para a cura, mas o que acontece quando a época em que estamos é de niilismo religioso? O filósofo dirá que aqui estamos no meio de um processo de infantilização da sociedade, o homem, enfim, se tornando uma “roda que gira em torno de si mesmo” – mas adiantará a sociedade inteira a ser? Afinal, “assim como uma tirania da verdade e da ciência poderia elevar bastante o preço da mentira, uma tirania da inteligência seria capaz de gerar um novo tipo de nobreza. Ser nobre, talvez significasse, então, cogitar tolices.”  Logo, a decadência da religião é apenas um meio de purificação do verdadeiro sentido de religare, ou seja, religar-nos-íamos à terra, à vida que vivemos, não a uma vida de além-mundos. Essa seria a purificação da religião, junto a um amor maior ao corpo (e quem disse que isso é hedonismo? Os ascetas, só pode). A angústia ainda não acabou, mas vejamo-la não mais como um mau a ser extirpado, mas sim como um bem a ser superado – superado com forças positivas (e lembro as palavras do filósofo: “a essência de uma coisa define-se pelas forças, pela vontade, que se apoderam dessa coisa.”).

Mas…de que vale isso tudo? “É só brincadeira”! Levamos muito tudo a sério…

Dados do filme

Título Original: Der siebente Kontinent
Gênero: Drama
Lançamento: 1989
País de origem: Áustria
Duração: 104 minutos
Direção: Michael Haneke
Resolução: 608:352

Elenco

Birgit Doll … Anna Schober
Dieter Berner … Georg Schober
Leni Tanzer … Evi Schober
Udo Samel … Alexander
Silvia Fenz … Optiker Kundin
Elisabeth Rath … Professora

Links do arquivo

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Parte 2: Mediafire
Parte 3: Mediafire
Parte 4: Mediafire

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