O Rei da Morte (1989)

Sobre o filme

Ah! o cinema experimental! Às vezes tenho a sensação de que muitos deles são apenas cinemas, mas que estão tão enraizados na mente criativa do diretor que nem há diferença de gênero e categoria. Jörg Buttgereit foi uma surpresa na primeira vez a que o assisti. Ele conseguiu me passar essa impressão.

O suicídio foi, por um considerado tempo, uma boa ferramente de utensílio da igreja católica para punir aqueles que pecavam. Ao perceber que perdiam os crentes, eles pararam e aboliram tal ato, botando na forma de que Deus não aprecia aqueles que se suicidam. Criou-se, então, a noção muito corrente de hoje sobre o suicídio: coisa de fraco, de gente que não aguenta o jogo da vida, que não ama Deus, que não tem consideração pelos outros. E o pior é que se você tenta se suicidar e não consegue, o Estado te processa por perturbação da ordem. Pois é, a vida é serious business. Mas isso não passa de um modo de controle do corpo, da vida e de toda potência que é nossa. O que fazer quando a angústia é tão grande que não lhe resta mais nenhuma perspectiva de vida? O que fazer quando você deseja a negatividade? A moral e a ética ocidental diria que temos de aguentar as adversidades da vida, pois desejar se silenciar eternamente é algo contra todo tipo de ética, como mostrou Kierkegaard. Mas há algo mais nobre do que ter a coragem para fornecer o último alento? Um dos maiores filósofos do século passado se suicidou. Qual mal há nisso? Ele está empregando seu biopoder, usando o termo de Foucault, ex splendido. Antes de ser fraqueza, o suicídio (ativo, aqui sempre me refiro ao ativo, aquele que possui forças positivas) é sinal da maior força de um ser – ouso dizer que é o mesmo que faz o lobo quebrar a própria pata para se salvar.

E eu gostaria de deixar aqui a última fala do filme no alemão mesmo. É bem impressionante, ainda mais por vir de uma kleines Mädchen:

“Das ist der Todesking. Er macht, dass Menschen nicht mehr leben wollen.”

Dados do filme

Título Original: Der Todesking
Gênero: Horror
Lançamento: 1989 (em outros lugares eu vejo que diz ser em 1990)
País de origem: Alemanha
Duração: 74 minutos
Direção: Jörg Buttgereit
Resolução: 640:480

Elenco

Hermann Kopp
Heinrich Ebber
Michael Krause
Eva-Maria Kurz
Angelika Hoch
Nicholas Petche
Susanne Betz

Links

Parte 1: Mediafire
Parte 2: Mediafire

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