Onde Vivem os Monstros (2009) (Filme+Livro)

Sobre o filme

Esse é o tipo de filme que merece uma capa bem grande, por ser bem grandioso também. Primeiro, pela sublimidade do diretor em transformar um livro com cerca de 365 palavras em um filme de quase duas horas. Segundo, pela atuação magnífica de Max Records, um ator da melhor estirpe. Comparo-o com Macaulay Culkin e Elijah Wood quando crianças. Terceiro, pela bela atuação dos monstros criados através de computação, um trabalho magnífico.

O filme retrata uma situação comum  e ao mesmo tempo triste e bonita de uma criança: a solidão. O que a criança faz enquanto sozinha? Ela usa a imaginação, decerto. Ela cria mundos, sem dúvida. Cria amigos imaginários – e assim podíamos continuar. Tenho um escrito em que eu, uma vez que Schopenhauer em seu “O mundo” bota o sonho como parte da vontade do mundo, coloco a imaginação da criança como algo não da vontade mas da representação do mundo, como uma ponte que liga e possibilita mudanças em ambos. Mas como isso seria possível? Podemos pensar que aquilo que fazemos nesse alter-mundum acaba por interferir em nossas ações no mundo ele-mesmo. O que acontece no mundo ele-mesmo acaba por interferir nesse outro mundo pelo fato de ser aquilo que aquele que não é. Portanto, é possível imaginar que a criança (e o adulto-criança, naturalmente) possa mudar seus atos no mundo ele-mesmo em prol de transformar este naquele outro-mundo. É impossível de se dizer que, quando a criança está no ato de imaginação, o corpo dela não está no mundo ele-mesmo, mas, por estar imaginando, naquele outro mundo de sua imaginação, então como é possível que ela possa botar o corpo neste outro mundo? Afinal, onde está agora a criança? Conosco ou em seu mundo? Se um mundo, como diz Schopenhauer, só pode ser concebido quando há causalidade, então quem poderá dizer que tal mundo infanto-lúdico é menos mundo que aquele concebido como “o real”? Seria possível, então, haver algum tipo de causalidade entre esses dois mundos? Penso ser sim, ainda mais se pensarmos em Pessoa – seus heterônimos não escreveram livros?

Podíamos ainda pensar, na questão da causalidade, como mostra Nietzsche: a causalidade como continuum. Se vimo-la desse jeito, acabará todo o conceito em si de causalidade: não haverá mais relação alguma de causa e efeito, mas apenas acontecimentos, sucessões de acontecimentos. O mundo-outro poderia agir no mundo ele-mesmo através da ponte, causando não mais sucessões de causas para certos efeitos, mas apenas acontecimentos. Isso acaba por nos fazer, erroneamente, pensar que o que regeria, então, a relação entre esses dois mundos é o acaso, mas Nietzsche nos avisa: “Quando vocês souberem que não há propósitos [neste mundo], saberão também que não há acaso: pois apenas em relação a um mundo de propósitos tem sentido a palavra ‘acaso’.” Nosso mundo é um simples da-sein (ser/estar-aí).

A criança é a mais bem construída das pontes entre esses mundos. Poder-se-ia ir além: ela é esses dois mundos. Talvez ela esteja querendo transformar o que há de mundo-difícil em mundo-brinquedo – um mundum-ludi, certamente.

Um dia, quando eu não tive aula na faculdade, eu fiquei em casa, lendo e escrevendo, até que eu liguei a tevê e, passando os canais, acabei por me deparar com o “Castelo Rá-Tim-Bum”. E eu comecei a pensar sobre as mil e uma possibilidades de um mundo criança, mundo este em que é possível voar para o espaço e encontrar extraterrestres… num foguete de papelão!

A solidão da criança, embora a pior, é, também, muito bela de se ver. Quem aqui estiver mais interessado em questões da infância, eu recomendo, para começar, um texto de um amigo meu (aqui).

Dados do filme

Título Original: Where the Wild Things Are
Gênero: Live-action, Drama
Lançamento: 2009
País de Origem: EUA
Duração: 104 minutos
Direção: Spyke Jonze
Resolução: 640×480

Elenco

Max Records … Max
Lauren Ambrose – KW (voz)
Chris Cooper – Douglas (voz)
James Gandolfini – Carol (voz)
Catherine O’Hara – Judite (voz)
Forest Whitaker – Ira (voz)
Paul Dano – Alexander (voz)
Catherine Keener … Connie
Mark Ruffalo … Namorado de Connie
Steve Mouzakis – Sr. Elliott

Links

Parte 1: Mediafire
Parte 2: Mediafire

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