Paisagem na Neblina (1988)

paisagem na neblina

Sobre o filme

Antes de qualquer coisa, este filme necessita de silêncio. Não o silêncio como a falta de palavras, como negatividade, nada, mas como potência expressiva e afirmativa de algo. Pois o filme começa rápido, também o espectador tem de se colocar nesse mundo grego contemporâneo com velocidade alta. Quando eu o assisti pela primeira vez, pensei ter baixado a segunda parte do filme sem querer (apesar de o filme não ter duas partes), mas, com paciência, percebi que o filme não podia ter começado de outra forma. Mas, por que é um filme que exige o silêncio? Geralmente, filme com adultos e pessoas mais velhas é que exigem o silêncio, como o Amour, de Haneke. O caso, aqui, no entanto, é que há muito sendo dito, toda hora, a todo instante. “A criança não para de dizer o que faz ou tenta fazer”, já dizia um filósofo. Precisamos ficar muito silenciosos para entender o que elas estão dizendo, por mais que estejam de boca fechada (apesar de todos os filmes terem a capacidade de expressar algo de boca fechada, nem todos possuem personagens que estão a toda hora fazendo isto. “É um longo aprendizado do desaprender”, no caso, a falar inocentemente). Dizem, e repetem isto constantemente, que o filme é sobre duas crianças que deixam de ser crianças, que se tornam adultas porque o mundo não é bonito, é feio, é horrível, e ele quer, a todo instante, te matar. No entanto, isto é mentira. O filme, antes de tudo, é um aprendizado de potências positivas que fazem suas incursões pelas passagens do negativo, mas que sempre passam, inconsciente de revoada. “Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!” – O não de Zaratustra só pode ser um sim enquanto afirmação da vontade. Quando a criança diz não sentir medo, não está negando, suprimindo o medo, recalcando-o, como quereriam os psicanalistas e outros moradores do negativo, mas a afirmação do seu esquecimento ativo do medo. Não há a possibilidade de falta neste filme, nada falta ao desejo. Até mesmo no desejo de se encontrar com o pai: por acaso, seria uma tentativa das crianças de completar o triângulo edípico? É uma possibilidade de interpretação, mas não a minha. Essa busca é a tentativa de captura. É o mesmo que acontece com o personagem de O castelo, K., que busca capturar algo do castelo, entender algo, não por falta, mas por força dos instintos, como diria Nietzsche. O pai e o castelo são mentirosos, pois busca-se por umalgum pai e castelo. Não se sabe nada deles, mas as tentativas nunca cessam. E é justamente aí que se encontra toda a positividade dessa ação que soa tão negativa a ouvidos defeituosos.

Dados do filme

Título original: Τοπίο στην ομίχλη
Lançamento: 1988
País de origem: Grécia
Duração: 120 minutos
Direção: Theo Angelopoulos
Resolução: 512×384

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